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Viagens na Minha Terra – Joana Gama

Maio 17, 2014 @ 9:30 pm - 11:00 pm

- Grátis

Joana Gama, piano

A obra “Viagens na Minha Terra”, cujo título nos remete para a obra homónima de Almeida Garrett, de Fernando Lopes-Graça dá o título a este recital. Apesar dos cinquenta anos que separam a composição das obras “Viagens na Minha Terra” de Lopes-Graça e “Lume de Chão” de Amílcar Vasques-Dias e ainda que as abordagens e estilos de composição sejam consideravelmente díspares, nota-se um especial interesse por parte dos dois compositores em “retratar” de forma pessoal o nosso país. Em cada um dos andamento do ciclo “Viagens na Minha Terra”, composto em 1953 e 1954, encontramos referências a lugares, especificidades ou tradições de várias localidades portuguesas, numa espécie de compilação das viagens de cariz etnográfico que Lopes-Graça foi fazendo pelo país, muitas vezes na companhia do etnomusicólogo corso Michel Giacometti. Assim somos levados a ambientes bem contrastantes: desde a solenidade da “Procissão de Penitência em São Gens de Calvos” ao ambiente dançante de “Em Alcobaça dançando um velho Fandango”. Com melodias provenientes da música tradicional portuguesa, esta obra é pautada por uma imensa frontalidade, por vezes quase rude, no discurso musical. Bem diferente é a abordagem de Amílcar Vasques-Dias na sua relação com Portugal e com o piano. Em “Lume de chão”, num ambiente poético e nostálgico, Vasques-Dias, natural de Badim (Monção) e actualmente a viver no Alentejo, transporta para a música as impressões, memórias e influências da sua infância minhota e da vida no campo alentejano. “Tecido de memórias e afectos”, o subtítulo deste ciclo composto entre 2003 e 2004, procura fazer a ligação entre o “lume de chão” do Alentejo e a “lareira” do Minho. Em termos musicais, o compositor explora continuamente os registos extremos do piano e, de forma a unificar este ciclo, o aparecimento recorrente de fragmentos nas diferentes peças. Este recital resulta assim num passeio poético-etnográfico por Portugal inspirado pela frase de Saramago “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

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